• O TELEFONEMA

    Uma mulher acorda ás duas horas da madrugada com o toque do celular dela. Do outro lado está uma voz desconhecida.

    – Alô! – ela responde.
    – Alô! Já cheguei! – diz a voz desconhecida do outro lado.

    Com muito sono, sem raciocinar ela continua:
    – E aí? Correu tudo bem?

    E o homem põe-se a contar:

    – A viagem foi difícil. Saímos de lá às três e só paramos em Porto Velho para almoçar...

    E assim o homem narra os acontecimentos durante duas horas. Algumas vezes, por causa do intenso sono ladrão da madrugada ela respondia: “Hum”; “Sim!” “É?”; “Sim!” Por todo o percurso gerativo da história dele a pobre mulher dormia aquele sono leve que temos. Ele narrava e ela respondia em monossílabos. Era uma conversa da madrugada que os lobos uivam e a lua quieta e dorminhoca responde.
    Após duas horas de profunda narrativa o sono dela se afasta e ela resolve perguntar:
    – Afinal, com quem o senhor quer falar mesmo?
    – Com Joana! Não é com ela que estou falando?
    – Me desculpe – a mulher boceja – Me desculpe ter ouvido o senhor esse tempo todo, mas eu não sou Joana, meu nome é Ana!
    O homem então desliga a chamada e ela volta a dormir.

    MORAL: Quando ligar para alguém para alguém às duas horas da madrugada lembre-se de perguntar quem está do outro lado da linha.

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