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    Doutorando em Letras pela USP. Veja currículo completo AQUI

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  • O namoro de Chico Preto com João de Deus


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  • A adoentada atlética

                Vinham em um desses ônibus coletivos. A palavra coletivo até parece irrisória para destacar aquele lugar. Em primeiro lugar é preciso dizer que coletivo não se adéqua aos princípios do coletivo comunista ou algo assim. Em segundo lugar, se o termo coletivo se refere de fato a um lugar notoriamente privado, mas aberto ao consumo para todas as classes, então se pode dizer que era um ônibus coletivo. De fato o era. E lá estavam umas 100 pessoas apertadas, espremidas, cheirando cada uma o cheiro natural do outro. Talvez o socialismo capitalista e a sua efetiva realização. A socialidade máxima do espaço privado concorrido, disputado, cheirado, ejaculado...
                E lá estavam três amigas. Uma era a mais adulta, usava chapéu e gostava de roer as unhas. Estava ansiosa porque jogou na loteria e esperava ganhar. A outra conversava sem parar numa rapidez incompreensível, com uma variação muito parecida com uma das línguas de tronco Tupi-guarani. A terceira, no meio de dois homens, fumava o odor das axilas de um deles e tinha o outro lhe roçando a bunda, o que a incomodava sobremodo. Não aguentando o calor sufocante começa a passar mal e cai. Corrijo: não caiu, porque não dá pra cair em um lugar apertado, espremido, lotado. Sorte a dela! Ou Azar! E nessa contradição, foi o rapaz da traseira que percebeu que ela estava em estado de mal súbito. Segurou e aproveitou para segurar na perna direita, e sinalizou a todos.
                Consta que ninguém ouviu, com exceção das duas outras amigas. A conversadeira parou logo e perguntou algo tão rápido que ninguém entendeu. A mais adulta se moveu empurrando um casal gay, ao que se desculpou, e acudiu a amiga. Tentou acudir e precisou ser acudida pelo casal gay que empurrou, pois tropeçou na perna de alguém e, dessa vez, por sua vez, caiu. É preciso esclarecer que um dos namorados tinha se relacionado com a garota que desmaiou. Era um desses rapazes bissexuais declaradamente heterossexual, mas que praticava o duplo comportamento e abnegava a opção heterossexual.  
                O ônibus parou na avenida próxima ao hospital e num imediatismo seco a doente se deslargou do braços de um dos homens que a desceram do ônibus e pôs-se a subir a enlouquecidamente a ladeira que dava no hospital. As duas amigas, de uns quarenta e pouco, mais ou menos, não conseguiram acompanhar. Ainda assim se puseram a tentar acompanhar a convalescente. A mesma corria sem parar. A ladeira era íngreme e a conversadeira das três começou a passar mal e desmaiou.  A mais velha já estava uma esquina à frente e nem viu o sobressalto. Corria sem para a fim de acompanhar o ritmo da doente que, enlouquecidamente, ia depressa quase correndo, com uma força quase que sobrenatural, se é o que defensores da pureza metafísica me entendem.
                A mais velha das três, que ia forte, um pouco mais perto da convalescente, também cansou, e caiu ajoelhada. Bateu uma fraqueza e ficou inconsciente na calçada, em frente a uma funerária de alto nível. O dono, presente, não sabia se deveria chamar uma ambulância ou localizar a polícia técnica e a família, no sentido de encomendar mais rapidamente o serviço funerário, e, é claro, gerar mais lucros para seu negócio.
                Enquanto as duas mulheres desfaleciam no caminho ia lá a doente chegando na praia. Adentrou o hospital com tal violência e disse em voz alta que estava passando mal. Todos se assustaram e logo foi ignorada, pois era situação das quase três centenas que dividiam o saguão. Acometeu-a é que estava cheio, lotado, igual ao ônibus coletivo da iniciativa privada. Acontece que a atendente nem a ouviu, pois lia uma dessas revistas de fofoca de telenovela e artista, e até se irritou pela insistência daquela mulher. Que mulher chata! O povo nem paga e ainda quer exigir...
                Insistiu mais uma vez a convalescente. A mulher lhe respondeu que não poderia atendê-la, pois não lhe parecia caso urgente. No exato momento entram as macas com as duas outras amigas que caíram no caminho do hospital. A atendente ainda completa em tom de justiça brasileira, se referindo às duas macas entrando : “Isso que é urgência...”
  • O ENTRADOR DE BANHEIROS FEMININOS

    Esta crônica nem ia ser escrita. Mas houve uma verdadeira revolução de alguns leitores. É preciso dizer que algumas vezes alguns leitores fazem verdadeiros sindicatos e se reúnem contra os autores que estes conhecem ameaçando-lhes se eles não contarem as histórias mais bizarras.



    Ele não tinha o costume de olhar a porta dos banheiros antes de entrar. Aquela legenda, rótulo ou como quiser chamar, meu nobre leitor, que serve para indicar o sexo bem vindo ao toilet. E isso causa verdadeiros eventos desagradáveis. Sim. E se há de contar que naquele dia ele tinha passado uma verdadeira chuva de azar. Começou no emprego: foi demitido. E angustiado resolveu para no bar para tomar o trivial chope. Tomou todas e mais um pouco. Depois descobriu que além de não ter dinheiro, sua mulher tinha roubado todos os cartões. Essa era viciada em compras, e tinha lhe dado golpes econômicos que desafiam todas as análises econômicas já feitas.


    Não foi um bom dia. E se há de falar que ele estava muito cansado. Juntando esse cansaço desenfreado à cabeça de poeta que ele tinha (cabeça na lua) deu no que já se esperava. Ele adentrou um banheiro feminino no bar onde estava. E quando se sentou no vaso sanitário, feliz da vida, não se sabe por que uma vez que estava cansado, leu em letras grandes na porta do lugar onde estava: “Eu amo Thiago”. Mas não! Aquele não era uma banheiro masculino! Não que um amigo não possa amar o outro. Retifico meu apoio ao amor ao próximo. Que um amigo ame o outro a tal ponto que lhe declare seu amor de amigo, isso jamais seria representado na porta de um banheiro. Não na cultura paternalista, agrária e machista do Brasil. Talvez um discurso homossexual de amor platônico, ele pensou. Mas nunca. Platão jamais teria ido tão longe. Retifico meu apoio aos diversos tipos de amor. Mas em parte, só para alguns leitores, os que não enxergarem em mim apologia a discursos preconceituosos, não acredito que alguém homossexual se expusesse tanto. Então sugiro que ele estava numa boa enrascada. Sim, aquele era um banheiro feminino.


    Quem nunca ouviu falar da história da velhinha americana que entrou no banheiro masculino, gritou quando viu um homem urinando, foram os dois atendidos pela polícia que julgou o rapaz como “tarado”. Pobre rapaz. Estava apenas participando de um evento tão involuntariamente normal da vida do homem e da mulher: o urinar.


    Mas voltando ao nosso bom e esquecido personagem, ele estava enrolado. Limpou-se mais rápido que Dom Pedro Alcântara naquele dia de Abril nas margens do Ipiranga, e quando abriu a porta pra fugir, ouviu passos no corredor. Voltou a fechar a porta. Sentiu que era uma mulher com salto. Essa entrou num dos banheiros e gemeu. Pobre dela! Nem sabia que havia ali do lado um ser do sexo oposto, um poço de reações químico físicas, com indecisões peculiares a qualquer um desses bichinhos chamados seres humanos. Pobre dele também, leitor de meu texto. Imagine um homem nessas situações. Se a velhinha americana fez o que fez num banheiro masculino, imagine um homem num banheiro feminino. Podia ser processado juridicamente e agora não possuía recursos financeiros suficientes para aguentar um processo nas costas. Não ia caber só um atentado ao pudor, mas se houvesse um juiz que fugiu às aulas de Direito, o crime podia ser considerado como Atentado Violento ao Pudor.


    Mas agora precisava sair dali e não sabia como. Ela cantava uma música. Eram tons desorganizados, cambaleantes entre duas ou três tonalidades. Os peritos musicais preferem não usar a palavra desafinação. Que seja. Ele não aguentava mais. Mas agora parecia que ela lavava as mãos, sem parar de cantar qualquer música em castelhano primitivo. E bastou sentir que aquela mulher tinha saído do recinto pra ele pular do vaso pra fora de vez, quando foi surpreendido por ela de volta.



    – Felipe? – ela surpreendeu ele.


    – Eu... – ele balbuciou. – Eu posso explicar.


    – Sim – disse ela – Você veio atrás de mim e ficou aqui na porta esperando. A sua mulher não está aqui no bar, está?


    –Não, claro que não!

    Há ainda de se falar que um beijo selou aquele diálogo. Do que vale a boa intenção dos poetas e escritores senão a ousadia dos personagens? Mas que claro fique que há mais coisas entre o céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia, não é mesmo, Will Shakespierre?


  • ESTUDANTE BRIGA COM MENDIGA PRA TER SEU DINHEIRO DE VOLTA

        Saiu no jornal e tudo: “ESTUDANTE BRIGA COM MENDIGA PRA TER SEU DINHEIRO DE VOLTA”. Aconteceu numa praça de uma cidade que prefiro não citar o nome. Prefiro também não citar o nome desse estudante, leitor curioso. Talvez porque seja mais um desses personagens que dão o que falar, é comentado em jornais e polemizado pela crítica. É necessário, porém, dizer que ele era estudante de psicologia.


           Fato é que ele estava sentado na praça quando chegou a mendiga, em seu natural exercício de “trabalho”. Sim, trabalho. Todos ganham a vida como podem. Cada um tem o motivo para ter escolhido aquela posição, ainda que trabalhe de forma inconsciente nesse motivo. Nunca esqueço a história de um homem trabalhador, honesto e público que enlouqueceu de uma hora pra outra e foi internado às pressas no hospício porque mordia a mão das pessoas. Um ou outro amigo o visitava e dizia para si ou para algum raro acompanhante: “Ô, cara, que porra! O cara podia tá aqui trabalhando, em sua vida normal, e tá aí encarcerado, a vida acabou”. O “louco”, por sua vez, em sua cela solitária pensou consigo mesmo após o amigo se despedir: “Coitado! Poderia estar aqui, sustentado pela sociedade e pelos órgãos do governo e ONGs baseadas nas ideias iluministas, livre de pagar impostos, mas está aí, sustentando políticos e milionários achando que trabalha pra ganhar dinheiro, quando muito trabalha pra pagar os serviços que utiliza...” Utilizo das retiências pra não acabar todo o pensamento daquele “pobre louco” que dissertou desde a hipocrisia imposta na invenção da escrita até os pressupostos de Marx ou Fourrier”. São lados confusos de uma mesma história.

        Sentado na praça o jovem foi abordado pela mulher que rastejava. Ao ver a situação frágil daquela criatura aviltada por essa sociedade injusta, essa terra de ninguém, essa selva de seres irracionais ele tirou “qualquer coisa” do bolso e deu a ela. Mas nesse momento falou o estudante de psicologia dentro dele. “Por que a senhora está nessa situação?”, perguntou ele. A mulher então fez uma figura rude, vítima da chuva de desigualdade, de um acidente de carro que lhe tirou os movimentos inferiores e “burra” de dar medo a qualquer fascista. Ele então percebeu a farsa. Nenhum ser humano (nenhum!) é burro, ou rude que esteja nessa situação porque ninguém vai olhar pra ele, e ele decidiu que a vida se resume apenas a rastejar e pedir dinheiro. Não consigo imaginar um ser humano tão menos inteligente do que o asno dessa forma para esquecer que ainda existe vida. Então ele nem se apresentou ou deu laudo. Não chamou a polícia, porque não era caso de polícia. Entrou na mão grande com a mulher, e ainda descobriu que além de andar ela ainda possuía movimentos nas pernas capazes de dar duas rasteiras nele e golpes de Karatê.

         O rapaz se tornou manchete de quase todos os jornais depois do fato. Um estudante! E brigando por causa de 1 real? Um absurdo. Chamem todos os órgãos de defesa aos Direitos Humanos, façam reuniões extraordinárias, cumpram a santa constituição! A imprensa nunca vendeu tanto com mais este seu bode espiatório.

        Me desculpe, Tico! Não citarei o nome aqui por ética à sociedade dos valores literários. Hoje o rapaz paga uma indenização altíssima à mulher, que ainda continua pedindo na mesma praça, rastejando da mesma forma. Ela inclusive é candidata à governadora do estado e as pesquisas apontam: ela é favorita. Viva os direitos humanos!


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  • O HOMEM QUE SUMIU NO SISTEMA

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    Após entregar um livro que não tomei emprestado, porque não constava empréstimo nenhum, nem que eu devia algo.




       Todo sistema tem sua falha. E nessa falha tudo acontece. Acontece é que ele era muito conectado a todas as tecnologias. Tinha blogs, microblogs, e-mails, contas em redes sociais – além das contas normais de cartão de crédito, corrente, crediários em empresas, etc. Mas um dia sumiu do sistema.


       E não sabe como foi. Saiu pra estudar e observou que seu nome não constava na lista de presença de sua universidade. Reclamou com a professora, que lhe conhecia muito bem, mas ela realmente disse não saber por que a lista estava sem o nome dele. No outro dia ele foi até a universidade resolver o problema. Passou antes no caixa eletrônico, colocou o cartão e deu “Cartão recusado”. Mas como? Colocou novamente. E a mensagem reapareceu. Era muita falta de sorte. Resolveu deixar o dinheiro pra pegar depois. Subiu então pra reitoria da universidade. Esperou alguns minutos e observou um homem de terno que ao lado dele lia um artigo da National Geographic.


       Finalmente chegou a vez dele. Entrou, deu bom dia e foi logo direto ao assunto. O homem que o atendeu pediu a identidade e o CPF. Ele deu educadamente. “Mas o senhor não estuda nesta instituição!”, disse o homem. “Mas como? Que absurdo é esse?”, ele retrucou. Tentaram umas dez vezes e nada constava do nome dele no sistema. O homem saiu para pesquisar o vestibular que ele supostamente teria feito pra ingressar na universidade. Após alguns longos minutos voltou dizendo que ele jamais fizera qualquer vestibular na universidade. Ele ameaçou chamar a polícia. Mas qual seria a acusação?


    Não importa. Sempre se inventa alguma.


       Chegou em casa desesperado. Precisava fazer alguma coisa. Como não havia prestado vestibular? Estudou tanto. Precisava abrir um processo contra a instituição. Mas primeiro deveria resolver o problema com seu cartão do banco. Iria mandar primeiro um e-mail ao serviço técnico do banco. Tentou primeiro pelo próprio site do Banco e deu CONTA INEXISTENTE? Mas por quê? Não, não devia quebrar a cabeça. Era muita falta de sorte. Que loucura seria aquela? Mandar um e-mail para eles seria a solução. Copiou o endereço eletrônico do serviço técnico e abriu o site servidor do e-mail. Digitou endereço e senha e deu DADOS INCORRETOS! O que estaria acontecendo? Tentou abrir os blogs, microblogs, todas as contas. Ele jamais existira naqueles sites. Saiu de casa aturdido e entrou num ônibus. O cartão estudantil dele não funcionou após dez tentativas. Ele nunca havia sido estudante. Pagou com dinheiro em espécie. Este não lhe abandonava.


       Entrou louco no Banco e após longas horas de espera, o que é normal nos bancos brasileiros, foi enfim atendido por um homem barbudo, com um sorriso sarcástico e cara de sádico. Descobriu que nunca havia sido cliente daquele banco, e que o cartão dele inclusive era clonado. Foi agarrado por seguranças, porque o banco pegou um clonador em flagrante. Na delegacia descobriu que sua carteira de identidade também não existia, era falsa. Assim como todos os documentos que tinha. Aliás, nem constou em nenhum cartório que ele tenha sido registrado. Foram feitas pesquisas em todos os hospitais do país. Mas em nenhum estava o nome dele. Ele não tinha nascido ainda. Aliás, encontraram um nome parecido com o dele – mas era o presidente da república! Foi rapidamente preso por ameaça... ameaça de que mesmo? Nem consta ameaça nenhuma contra ele. Aliás, a ocorrência não podia ser feita com alguém que nunca existiu. Foi então solto.
       Resolvi lhe dedicar esta crônica após ele me contar sua história numa dessas calçadas da vida, onde ele serve de mendigo. Que fique claro para todos que pelo menos aqui ele consta. Pelo menos aqui ele existe. Essa crônica lhe é dedicada. Qual era o nome dele mesmo? Não consta o nome, mas que todos e todas saibam que pelos menos aqui ele existiu. Infelizmente não sabemos se este texto tenha sido escrito realmente ou se será lido e quem de forma absurda o tenha escrito. Mas que conste que ele existiu. Ao menos na mente ensandecida de alguém. Que conste, quero que conste que ele existiu.



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  • A MULHER QUE SE CASOU COM UM POSTE DE ELETRICIDADE

                      Dedicado a Thieny


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    A mulher que mora no outro lado da rua em frente à minha casa se casou com um poste de eletricidade. Isso aconteceu, dizem as bocas malditas, por que descobriu que o poste é mais interessante do que todos os homens do mundo.


    Contam, não sei, que essa mulher tinha muito dinheiro. E rodou o mundo atrás do homem perfeito. A encrenca começara com o baiano. O baiano não era o homem perfeito. E foi seguindo todas as armadilhas dos estereótipos culturais que se mudou pra São Paulo. Mas lá também não havia o homem ideal! E como ele seria? De cara limpa, branca, sem muita barba, mas também sem aquela cara de garotão, com um corpo másculo, mas também sem ser um daqueles rapazes que só se preocupam com os músculos e se tornam verdadeiros trogloditas humanos. Com olhos absolutamente verdes, um nariz afilado, boca não muito grande. Esse é só o começo do que pra ela significava o homem perfeito. O homem perfeito não podia ser tão baixo como Napoleão Bonaparte, nem tão alto como o gigante Golias. O homem perfeito não podia ser pobre, mas também não podia ser um daqueles tipões que trabalham o dia todo e não têm tempo pra família. O homem perfeito da nossa amiga tinha que ser fashion, nunca cafona, mas simples em sua elegância para não despertar ciúmes nas outras.


    Ela pensou em tudo. O homem perfeito tinha que ser inteligente, mas não podia ser intelectual desses que deixam de comer para discutir Marx ou chegam na cama e resolvem discorrer a teoria de Sartre. Não, o homem perfeito tinha que ser contextual, adequado pra todas as horas, multifuncional. Por último o homem perfeito tinha que ser romântico, lhe dar flores uma vez na semana, mas nunca meloso. Bom de sexo! O homem perfeito tinha que ser bom de sexo. Ela queria o orgasmo em todas (não tantas na semana) as vezes que eles decidissem transar. O homem perfeito pra ela tinha que ser um selvagem civilizado na cama que pudesse sussurrar “Te amo”, “Calma, vai dar tudo certo”. O homem perfeito não vinha. Enquanto isso nossa amiga dava tocos em todos os homens que se aproximavam.


    Resolveu viajar todo o Brasil atrás do homem perfeito e não encontrou. Encontrou promessas piores do que as dos políticos. Chegou a lavrar o contrato com um deles, e viveram uma relação de carinho até que ela descobriu estar se relacionando com um homem casado. Sim, ele era casado. E ser casado é ser imperfeito. Ela então saiu pelo mundo atrás do homem perfeito. Aprendeu a se comunicar em umas dez línguas e não conseguiu achar o homem perfeito. Este deveria estar preso, coitadinho, em uma sela escura, sofrendo as piores atrocidades. Pobres príncipes encantados!


    Ontem soube que semana passada, após voltar ao Brasil se casou com um poste, com padre e tudo. E sabem o que foi mais engraçado de tudo? Na hora do casamento o poste entortou, como essa manada de homens imperfeitos e caiu, acabando com a rua de toda a cidade e matando dois músicos. Não, nem o poste era perfeito. Nada é perfeito! A Terra não é perfeita! Nenhum homem é perfeito! Nenhuma mulher é perfeita! Nada é perfeito! Eu não sou perfeito! E sabem por quê?


    Porque a perfeição é pobre. A perfeição é utopia. A perfeição é uniforme, unilateral. Ser perfeito significa estar vestido de só de uma cor e praticar aquilo arduamente, para nunca errar. E o ser humano está longe disso, felizmente. Porque o que tem feito tão bela essa vida, acreditem, não é a perfeição, é o modo como essas coisas estão desarrumadas, o modo como as pessoas se vestem diferente, falam diferente, pensam diferente, se comportam diferente. O modo como elas são imperfeitas. A natureza é imperfeita porque tem um oceano lindo cor de azul, com partes verdes e que se diferem da terra negra e roxa.


    Este texto foi escrito pelo mais imperfeito dos homens.




    Gabriel Nascimento


    Ilhéus, 06 de julho de 2010


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  • O PROBLEMA COM O POBRE DO VERBO

    Eu nem ia escrever este texto temendo a ideia de que algum linguista tradicionalista o leia. E se o ler ou se ler ele saiba que quem o fez, ou quem fez ele o pariu ou pariu ele como a um filho. Por isso respeite este escrito antes de tudo. Mas nessa fria noite da madrugada resolvo fazer ensaios da língua e resolvi analisar as construções “a gente está” X “nós estamos” X “a gente estamos” X “nós está”.


    Difícil dizer. Mas já começo com a hipótese. “A gente está” soa como normal porque é o mais admissível no ouvido dos mais cultos do Brasil. Os gramáticos ainda detestam a soberania da evolução humana por causa disso. “Nós estamos” é culto de mais, chega a dar medo de um sujeito que te encontra na rua e diz “Nós estamos com um projeto!”. Será uma bomba, uma invasão a base atômica do Irã? O cara usou “nós estamos”, o que pressupõe algo mais sério?! Mas se ele diz “A gente está com um projeto” ninguém leva tão a sério, ou leva e não acha tão urgente. Sacou? E o que falar das tão discriminadas formas “a gente estamos” e “nós está”?

    “A gente estamos” é mais longa. A gente estamos: logo – muitas pessoas. Uma multidão te espera aqui: “a gente estamos te esperando aqui!” “Nós está”- nós é uma célula de pessoas, tão pouco que não vale a pena dizer um verbo mais longo. Que a inquisição linguística dos filhos da velha tradição da conservação das línguas mortas não se interessem por minha literatura e não me leiam. Mas tem outro fato: “a gente vamos” e “a gente vai”. Nesse caso eu me volto em relação à sua pressa. Vou dar uma de gramático de esquerda: se está com pressa “ a gente vai”, se na maré mansa, devagar “ a gente vamos”. Se lembrar que língua não é religião e ninguém deve prescrever como deve falar e sim o contexto, fale pra ser entendido. Dia desses falei a um colega que “a gente vamos”. Ele perguntou quando. E eu disse que vai demorar... “A gente vamos” demanda mais tempo. Logo os sujeitos mais calmos aproveitem pra dizer que “a gente vamos” ler mais esse texto.

    Tapem seus olhos vestibulandos e amassem essa folha. Pobres pessoas que discriminam pessoas por dizerem que “a gente vamos ser alguém na vida”. “Não é ‘a gente vamos’” – sempre tem um metido a gramático – “É ‘a gente vai’” – e o rapaz que disse “a gente vamos” acha que “a gente vai” ser alguém na vida facilmente e decide ou entrar pra política ou traficar drogas. Sim porque “a gente vai”, logo vai rápido. Então “simbora” assaltar um banco que “a gente vai”. Mas essa de faculdade, mestrado e doutorado só funciona se dizendo “a gente vamos” e “ a gente vamos com calma” porque a estrada é longa e se “a gente pensamos” em parar “a gente vai” se dar mal.

    Do mais prescrever uma língua (logo dar uma de médico da língua) é mais falacioso do que dizer que “lugar de mulher é na cozinha” e “ de negro é na senzala”. Os verbos se “vamos” ou “vai”, “somos” ou “é”, “estamos” ou “está” não existem para completar o pobre do sujeito ou pronome – existem porque seguem a regra internalizada do falante: sujeito + verbo. A língua é prescrita como se faz no cânone literário. A língua é sim uma arte de improvisos, e não deve ser considerada uma partitura em que todos devem seguir senão desafinam. Já está comprovada a arte do dom de ouvido do falante. Por que será que eu acho que a gente do Brasil “vamos” demorar muito pra entender isso?


  • Síndrome do Coração Partido
    Dedicado à professora Maria D'Ajuda Alomba Ribeiro





    A vida é mesmo uma coisa fatídica! Dona Débora é uma pobre lavadora de ganho do subúrbio carioca, casada a seis anos com o operário Adalberto, nunca teve grandes coisas a não ser os quatro filhos que amava muito, acima de todas as coisas. Uma noite quando os dois estavam fora de casa, aconteceu a maior desgraça da vida deles: a casa deles caiu e todos os quatro filhos morreram.

    Foi uma tragédia, a imprensa noticiou, todos se chocaram. Houve homenagens. Mas a imprensa esqueceu, todos esqueceram, exceto dona Débora e seu marido que sofreram muito. Contudo tomaram uma decisão: para passar a dor, resolveram fazer um outro filho. Mas outra tragédia aconteceu: voltando do trabalho, Adalberto foi atropelado por um Land Rover, um carro importado. Foi horrível, dona Débora quase enlouqueceu, recebeu amparo de psicanalistas, seu caso virou lema de dissertação de vestibulares e concursos, virou dissertação de doutorado, virou projeto de tese de mestrado. E ela passou a ser conhecida por ter “SÍNDROME DO CORAÇÃO PARTIDO”. Mas ela não se conformou, decidiu então tentar o suicídio.

    E foi tentar o suicídio na Avenida Brasil, uma das mais movimentadas do Rio. Ao chegar lá, esperou passar um caminhão para jogar-se debaixo dele. Foi quando ao seu lado parou uma moça que estava com um bebê no colo. O bebê sorriu para ela, foi como um encantamento. Aquela mulher que iria tentar o suicídio, ficou encantada pelo brilho do sorriso daquele bebê. Como é bela a inocência das crianças, não é mesmo? Segundos depois um caminhão estava chocando-se com um carro pequeno, ali na frente de todos eles. Um congestionamento foi formado, foi embora a chance de Débora cometer o suicídio, tudo isso graças a mágica do sorriso de uma criança.

    Débora sentiu-se um monstro. Sentiu-se o próprio Flagelo de Deus – aquele cavaleiro mitológico que quando passava, as flores murchavam, as plantas morriam. Ela sentia-se o próprioFlagelo de Deus, sentia-se um ser tão fracassado que perdeu os quatro filhos que tinha e, depois do sofrimento, quando resolveram tentar outro filho, o marido morreu atropelado. Tão miserável que nem o suicídio conseguiu cometer porque quando iria jogar-se debaixo de um caminhão na Avenida Brasil, ocorreu um acidente antes, e logo em seguida, um congestionamento.

    Pensava tudo isso enquanto voltava para a casa. Mas quando passou na frente de um lixão, ouviu o choro de um bebê. Voltou, o bebê estava no meio dos detritos, como um bicho, subumano! Era aquele bebê que havia rido para ela e despejado o encantamento de sua graça, era o bebê que lhe havia impedido o suicídio. Então, tornou a ser feliz, e descobriu que a vida só acaba quando não há mais seres vivos à nossa volta.



    Gabriel Nascimento








  • A CORDA INVISÍVEL

    Subia a rua São Francisco devagar quando voltava do trabalho dia desses quando vi uma cena estranhíssima. De cá de baixo da rua via jovens como que batendo corda e outros pulando. Até aí nada anormal. Exceto porque essa prática é quase inexistente à medida que os jovens se viciam cada vez mais em internet e redes sociais.
    Mas o que me chamou a atenção é que, não sei se por causa do meu problema de miopia (não a humana que nos une socialmente como seres humanos), mas a miopia fisiológica, eu não enxergava a corda. Sim, não conseguia ver a corda. Mas aquilo devia ser a minha cegueira. Tão cegos sobre o caminho da verdade também não vemos cordas e desrespeitamos a opinião do outro. Fiquei encabulado porque meu óculos estava novo. Não, não enxergava corda nenhuma. Me revoltei. Xinguei de todos os nomes possíveis a ótica, o médico oftamologista. E perdi um tempão fazendo isso. Lembro que uma senhora de seus oitenta anos e muitas histórias pra contar começou a me olhar assustada.
    – Aconteceu alguma coisa, meu filho? – perguntou ela.
    – Não consigo enxergar nada direito. – disse eu exagerado.
    – A vida ensina, meu filho, a vida ensina.
    Aquilo não era hora de filosofia. Mas o que ela disse confortou meu coração. Continuei subindo a rua, devagar tentando acreditar no que disse a senhora vida. “A vida ensina, meu filho, a vida ensina”. Bem verdade, a cada minuto tiramos aprendizados que nos desconstroem e fazem de nós outros. Mas, ainda não via a corda! Devia ser um problema da minha cabeça, por que como eles estavam brincando de pular corda, sem corda! Impossível. Parei um tempão pra observar aquela cena e não via nada de corda. Duas meninas batiam a “corda” (esta que eu não via) com tango gosto enquanto um menino e duas meninas pulavam também extasiados. Mas cadê a corda? Eu não enxergava. Ou eles estavam completamente doidos ou eu estava. E quem de nós bichos humanos está lúcido?
    Parei o jogo deles. Precisava tirar a prova dos nove, subtrair pelos cem para saber se eu xingava mais o oftamologista ou me internava no manicômio perto da minha casa. Parei uma menina, peguei na mão dela e perguntei:
    – Cadê a corda?
    Ela me olhou assustada. “Esse cara é doido!”, deve ter pensado.
    – A corda? – perguntou ela. – Você está pisando nela.
    E todos riram. Chacotaram à vontade a minha miopia.
    Também no mundo dos humanos não enxergamos algo, por mais que tentemos enxergar, a nossa miopia humana é maior do que nós.

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  • O TELEFONEMA

    Uma mulher acorda ás duas horas da madrugada com o toque do celular dela. Do outro lado está uma voz desconhecida.

    – Alô! – ela responde.
    – Alô! Já cheguei! – diz a voz desconhecida do outro lado.

    Com muito sono, sem raciocinar ela continua:
    – E aí? Correu tudo bem?

    E o homem põe-se a contar:

    – A viagem foi difícil. Saímos de lá às três e só paramos em Porto Velho para almoçar...

    E assim o homem narra os acontecimentos durante duas horas. Algumas vezes, por causa do intenso sono ladrão da madrugada ela respondia: “Hum”; “Sim!” “É?”; “Sim!” Por todo o percurso gerativo da história dele a pobre mulher dormia aquele sono leve que temos. Ele narrava e ela respondia em monossílabos. Era uma conversa da madrugada que os lobos uivam e a lua quieta e dorminhoca responde.
    Após duas horas de profunda narrativa o sono dela se afasta e ela resolve perguntar:
    – Afinal, com quem o senhor quer falar mesmo?
    – Com Joana! Não é com ela que estou falando?
    – Me desculpe – a mulher boceja – Me desculpe ter ouvido o senhor esse tempo todo, mas eu não sou Joana, meu nome é Ana!
    O homem então desliga a chamada e ela volta a dormir.

    MORAL: Quando ligar para alguém para alguém às duas horas da madrugada lembre-se de perguntar quem está do outro lado da linha.

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  • O FOLDER ROUBADO

    Dedicado à professora Maria das Graças Góes

    Fui participar de um seminário desses que parecem durar uma eternidade. O evento foi em São Paulo, na sede da multinacional Étoile. Fiquei de início encabulado porque, embora tivesse recebido uma pasta com uma série de periódicos sobre as drogas, na mesma não havia nenhum folder. Direcionei-me a um dos organizadores e pedi. Ele disse que já voltaria para me dar e, hoje, três meses depois do evento acabar ainda estou esperando.
    O fato é que eu não sabia quais eram as programações. Via todos exibirem o folder com fundo azul, talvez baseado na semiótica de Peirce. Sim, porque além da cor de fundo ser azul o nome da empresa organizadora, Étoile, que quer dizer “estrela” em francês, no fundo do fôlder caía como uma estrela do céu na frente daquele ambiente azulado. Não me tomes como exagerado! Eu já estava estressado porque depois de pedir a um dos organizadores o folder, voltei a pedir e não me deram!
    Gritar não podia! Iria ser, com certeza, demitido da Etoile jóias S/A. Percebi que o jeito era ouvir atentamente o comentário de cada pessoa para daí saber a programação. O site da empresa era tão grande que, ao digitar o nome do seminário apareceu um histórico sobre a vida do acionista majoritário.
    Caminhei pelo jardim pausadamente, respirando como se fosse a última vez. E se eu roubasse um folder? O que me poderia acontecer? Nada. Nunca ouvi falar de alguém que foi preso por roubar um folder. Tomei coragem e caminhei para dentro da loja. Três mulheres e um homem conversavam casualmente, uma delas tinha a mão sobre o folder que estava na mesa. Olhei, aproximei-me. Nada. A coragem só aparece para os loucos . Para mim faltava muito para chegar a um louco de classe. O que fazer? Poderia pedir emprestado e não devolver, mas aí correria o risco de ser cobrado. Não, seria demasiadamente vergonhoso. Soltei uns palavrões em solilóquio. Fitei novamente a moça com o folder embaixo da mão. Pitra! É assim que xingo quando vejo que o que eu iria dizer poderia ofender a moral de alguém. Ela ouviu. “O quê? Falou comigo?” “Não”, lhe respondi, “Pitra é céu em russo”. Mentira, se ela soubesse falar russo eu estaria deliberadamente perdido.
    Entrei, depois de muito andar em dos escritórios da empresa. Isso perto da palestra geral do acionista majoritário. Lá eu vi, brilhando em cima de uma das mesas, o tal folder. Corri, peguei, guardei no bolso. Roubar pode ser feio, mas se tratando de um folder é educativo. Eu não tinha escolhas. Quando não se dá alternativas, a alternativa é roubar. Essa é a desculpa predileta daqueles que vivem roubando, agora também a minha.
    Agora, já informado corri para a palestra do acionista majoritário. O tal começou o discurso assim: “Eu perdi o meu folder, se alguém achar, me avisa”. Eu achei, quer dizer, roubei. “A pessoa que achou”, ele continuou, “se me der, receberá uma recompensa de cinco mil dólares”. Nem esperei acabar a conferência. Devolvi o roubo, não com o rabo entre as pernas e recebi a grana. É fato é que depois descobri que no folder havia a lista de uma conta milionária da empresa que ele pretendia desviar verbas.

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  • CONSUELO

    BLOG DO GABRIEL NASCIMENTO- Banco de dados E ENTÃO, VAMOS VER OUTRA CRÔNICA? DESTA VEZ VAMOS CONHECER A HISTÓRIA DO NOSSO AMIGO CONSUELO... VEJAMOS...


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    Consuelo era mais um baiano trabalhador, honesto, que paga suas contas em dias e se diverte no final de semana. Mas tinha um problema: chamava-se Consuelo. Não que isso fosse um problema como atirar uma pedra no ônibus ou acusar um senador de corrupção, mas se chamar Consuelo era motivo de muita gozação entre os amigos. “Bom dia, dona Consuelo”, sempre que o encontrava da boca de Zé soava esses verbetes desgraçados, assim pensava Consuelo. “Oi Consuelozinha”, dizia-lhe também amiúde um de seus amigos mais íntimos.
    E Consuelo acabou sua faculdade de Economia na Universidade Estadual de Santa Cruz debaixo dessa gozação. Os professores tentavam dar aula e logo, na hora da chamada... “CONSUELO”! E dava-se o vexame. Vexado o pobre Consuelo não sabia o que fazer da vida já que não podia passar nos corredores da Uesc que ouvia de um de seus conhecidos ou não: “Oi Consuelo”. Conhecidos ou não já que um nome como o de Consuelo faz uma pessoa ser conhecida tal como Lady Di era em Londres. “Sabe aquele rapaz ali”, diziam fofocando enquanto ele passava desconfiado, “se chama Consuelo!” ;“Consuelo! Não diga!” E Consuelo ia e vinha, como manda a constituição, ouvindo os burburinhos com seu nome.
    Foi numa semana de véspera ao seu aniversário que tomou a decisão que julgava mais importante de sua vida: ABRIR UM PROCESSO JUDICIAL PARA MUDAR O NOME. Foi até o fórum no Centro de Itabuna e descobriu que só poderia tentar aquilo em Salvador.
    Partiu para Salvador numa segunda-feira de manhã fria para abrir aquele processo acompanhado de advogado e tudo. Ficaram vários meses nessa luta para ver o juiz, já que a justiça no Brasil é tão lerda que cada vez mais parece que ela vai parar. E parou, mas antes atendeu o pobre do Consuelo que não aguentava o fato de seus conterrâneos de Ilhéus e de Itabuna terem tanto preconceito com aquele nome que para ele não significava nada, mas para a galera que “o amava” significava castigo.
    O juiz parecia fúnebre em uma toga que mais parecia roupa encomendada para o juízo final. Ao seu lado estava seu advogado que usava um terno negro de um pano bem forte e uma camisa bem rosa, com uma gravata listrada de vermelho e azul marinho. Ele trajava-se com um jeans e uma camisa social vermelha. A Sessão começou atrasada porque o juiz estava lendo uma revista de fofoca que comprara na banca de revistas fora do fórum. E a fofoca devia ser boa, pois ele não tirava os olhos da Brazil’s Magazine. E, ao relatar seu problema ao juiz que pareceu não ter lido o processo pois falava mais das fofocas que lia do que entendia do processo, o juiz olhou-lhe e disse: “Você está fazendo essa confusão porque tem o nome de CONSUELO?”, o velho tirou os óculos, “Meu nome é NOÊMIA, NOÊMIA CARDOSO DE JOSÉ MARIA!”
    E assim a nossa amiga, ou melhor, o nosso amigo não conseguiu em mais uma de suas peripécias mudar seu nome.
    Triste, abatido, ele caminhava na Rua Marquês de Paranaguá em Ilhéus quando se bateu com a mulher que aguentaria os seus abusos quando velho. Não que tenha sido amor à primeira vista como nos filmes de James Cameron, mas foi afeição, química abstrata inexplicável e, nesse meio o desejo de fazer o irracional que é o sexo. Fizeram e, aliás, a vida deu a eles em tempo de crise econômica 17 filhos que criaram com muito carinho. Ele também se encontrou nela em outro detalhe: o nome dela era GILVAN ROBERTA MARTINS.
    E como mudaram de sexo, ou melhor, de nome? No casamento ele passou a ser Gilvan, embora também não gostasse muito do nome e ela passou a ser Consuelo. Algumas vezes são vistos cantando e tocando nos bares em Itabuna e Ilhéus, fazem uma dupla inigualável...



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  • A SOMBRA DA MADRUGADA

    A SOMBRA DA MADRUGADA





    Vocês já ouviram falar da famosa sombra da madrugada? Não? Pois é. Conta uma velha lenda urbana, mas velha mesmo, que há anos, e lá se vão anos uma mulher foi assassinada na saída da Kennedy para uma rua no Jaçanã. Desde essa noite todas as noites a partir das 12:00 da noite essa sombra ronda essa rua. Há quem tenha corrido dessa visagem que assombra os moradores desse bairro.

    Ester era uma moradora do Jaçanã. MORADOR, corrigindo... Ester era o nome de um rapaz de pouco mais de 22 anos. Sempre houve críticas e mais críticas na escola a respeito de Ester. "Olha a Ester", diziam os colegas dele mangando. Mas ele nunca foi de se vender para a ira, para o ódio por qualquer coisa. Ora, a ira e o ódio sempre querem comprar você por muito barato. Mas nós temos que ser produto de qualidade como vinho do sul da França ou do norte da Itália. "Esterzinha está passando", diziam com muito sarcasmo seus colegas. Mas ele nunca ligava. Sim, mas não foi para falar das deficiências de Ester que esse texto vai sendo criado. Ou lido, porque tem um leitor lendo. Já dá para ver a curiosidade do intrépido leitor para conhecer o verdadeiro enredo já que o autor é dúbio...

    Ester começou a trabalhar a noite no centro da cidade de Itabuna, na Beira rio numa empresa de Transportes. Só um probleminha: ele tinha que voltar para casa meia-noite. Não havia o que fazer.

    A Ester, quer dizer, o Ester, para nós, não seus íntimos- ESTER PUTRICO ESTÊNIO BARASKI- voltava dia desses do trabalho. Desceu da condução e adentrou a rua. Sentiu logo de impacto um arrepio. Prosseguiu. Tentou lembrar de alguma coisa do trabalho para tentar não deixar aparentar o nervosismo. O ser humano é um mau ator. Por mais que tente, por mais que atue, em um momento ele sempre vai deixar a toalha cair. E caiu. Apressou os passos, ouviu um barulho estranho. Assistira na noite passada um filme chamado NO CAIR DA NOITE onde um demônio chamado Matilda mata as pessoas à noite. Estava quase correndo quando na sua frente apareceu o espectro. Ou pelo menos sua sombra. Ora, quem disse que fantasma não tem sombra? Pois é, leitor, a sombra apareceu e ele ficou gélido, imóvel, sem saber o que fazer. "O que você quer"? Talvez o fantasma tenha respondido: "ESTER"... Mas foi impressão. Ele saiu correndo e na primeira porta bateu. Bateu, bateu, esmurrou, quase quebrou quando observou que não havia ninguém na casa. Mas na casa vizinha havia.

    A velhinha que era vizinha à porta quase quebrada chamara a polícia na hora do espancamento: DA PORTA. A polícia foi ao local também com muito medo. Como se policial não tivesse medo de assombração! E quando passavam pelo mesmo local viram aquela mesma sombra, deram a volta com muita rapidez como quando estão perseguindo um bandido perigoso. Chamaram reforço. E o reforço foi também com muito medo. Quando este soubera do acontecido decidiu nem entrar na rua. Aí todos os moradores já estavam acordados com o intenso barulho, em sua maioria, atrás da porta para obter alguma informação. Ester já havia chegado em casa de tanto correr. O dia então raiou e um morador cortou o coqueiro que causara tanto alvoroto durante noite. Todos haviam se assustado com um coqueiro. E a verdadeira sombra da madrugada?

    De um pouco longe ela ria ironicamente agradecendo porque tivera um momento de descanso na noite passada, o coqueiro trabalhou por ela. Às vezes a vida é tão generosa...






    Gabriel Nascimento



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  • DINHEIRO

    Nós comemos, bebemos, suamos...mas o que não pode faltar em nossa vida é saúde e ... DINHEIRO. Ele está em toda a parte, no bolso e no discurso de um político ou numa tela de Picasso. Como dizem os gângsteres: “sempre tem dinheiro na parada”. Você está com fome, e quer comprar algo para comer, você precisa de : DINHEIRO. Você vai viajar, e para viajar, você precisa de: DINHEIRO; você trabalha em troca de: DINHEIRO; hoje em dia você bebe água se tiver: DINHEIRO; usa uma roupa se tiver: DINHEIRO- sim porque para usar roupa tem que comprar, e comprar é o ato ou efeito de obter algo, trocando-o por dinheiro. Nós respiramos: DINHEIRO.

    E há gente que não tem vergonha e trabalha diretamente com dinheiro, é o banqueiro. Até rimou! E tem gente que estuda para trabalhar com dinheiro, é o cambista ou economista, que não economiza na hora de pedir um aumento, ou pedir dinheiro.

    As pessoas matam por dinheiro! Você é o que você tem, e vai estar atrasado se não tiver um PEN DRIVE de 3 gigas que todos têm! Ou vai ser ninguém. Um exemplo é o mendigo, que é ninguém por não ter: DINHEIRO. Você compra: DINHEIRO; você come: DINHEIRO- claro porque o que você come, compra com dinheiro; você sua: DINHEIRO; você é DINHEIRO!

    Gabriel Nascimento





    Aqui você verá mais um vídeo da banda Roupa Nova com a música DONA. Divirta-se:



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